Foi com muito orgulho que recebi o convite para escrever esta crónica, pois costumo seguir a página e reconheço o trabalho que é feito pelo Orlando por “amor à camisola” e à modalidade.

Sempre pratiquei desporto desde criança mas foi no futebol que me mantive a nível federado até aos 23 anos. Após ter terminado a licenciatura em Educação Física e Desporto ficou mais difícil conciliar o trabalho e os treinos por isso tive de optar.

Contudo, o desejo de ensinar e praticar desporto continuava presente e apenas a parte lectiva na Escola não me saciava.

Surge então em 2012 a possibilidade de fazer uma formação em PT e começar a trabalhar numa conhecida cadeia de ginásio. Foi também neste ano que conheci o CrossFit através da internet e comecei a fazer alguns treinos para mim e para os PT´s. Era diferente de tudo aquilo que já tinha feito. Muito mais intenso, muito mais recompensador no final de cada treino. Era a dopamina a falar mais alto.

Contudo, estes treinos e aulas não eram bem vistos pelo ginásio. Foi então que procurei formação na área de forma a melhorar o meu trabalho. Neste âmbito tenho de agradecer ao Juvenal Cardoso Fernandes do CrossFit Aveiro pela formação inicial que organizou nas primeiras instalações do CrossFit Aveiro e aos primeiros treinos oficiais em Boxes de CrossFit, no CrossFit Coimbra (Obrigado ao Renato Costa, Carina Simões e Luís Sá), CrossFit Mondego (Obrigado ao João Simões, Carlos Lebres e Maria Costa) e Off Limits CrossFit (Obrigado Pedro Pereira e Fábio Francisco).

Se o CrossFit era tão entusiasmante para mim eu tinha de apresentá-lo a outras pessoas. Foi aí que propus ao Clube Naval do Funchal a criação de uma aula de Cross Training nas suas instalações e aqui teve origem a Naval Box (numa primeira fase conhecida como XFit). No início era tudo muito rudimental, utilizávamos barras de pump, os saltos eram realizados para um palco, etç.

Aos poucos a modalidade foi ganhando cada vez mais alunos, fomos investindo material e hoje em dia posso orgulhar-me de dizer que temos uma grande box, ao ar livre, com bons equipamentos e uma excelente comunidade. Sim, porque o que diferencia esta modalidade é o espírito de grupo que se cria entre pessoas de diferentes faixas etárias e diferentes níveis de habilidades.

A nível colectivo participamos em algumas competições nas quais tivemos sempre bem pertinho do pódio (4º e 5º lugar nos Promofit Games) e a final do Tribal Clash em 2018. A título individual alcancei o 2º lugar no Paredes Fittest Games e do 1º lugar nos Manz Cross Games 2019 na categoria de Master Masculino.

Estas presenças em provas fizeram-me tirar algumas conclusões. Eu sempre treinei “muito” para fazer um bom resultado numa prova nacional mas após vencer a Manz aquilo que senti foi “é isto?!?”. O que quero dizer é que a grande satisfação e concretização está na luta diária, nos treinos do dia a dia, terminar o treino e sair com a sensação que não conseguia fazer melhor. Esta é a minha grande satisfação apesar de sentir muito orgulho quando subo ao pódio com a bandeira da Madeira.

Por isso é que tanto enfatizamos, na Naval Box e no Sal CrossFit a “luta pela melhor forma da nossa vida” E esta luta é diária. Para mim é recompensador ver o Zé, a Nélia com 50 anos em busca desta forma (saúde) como se tivessem 18. A competição é diária e connosco. Enquanto estivermos preocupados em ser melhores do que o A ou B vamos andar sempre atrás deles.

Consoante os anos avançaram, fomos sentindo necessidade de aproximar a modalidade da Madeira e foi com esse intuito que criamos o Madeira Training Camp e o Madeira Cross Games. Queríamos dar oportunidade aos Madeirenses de estarem na arena lado a lado com algumas referências portuguesas e ultimamente internacionais.

 

Já cá tivemos o Pedro Bártolo, a Sara Pinto, a Joana Tomás, o André Teresinho, o David Costa a Nádia Abreu mas também o Samuel Bieri e neste ano o Peter Andersson que já esteve nos Games.

O grande objectivo desta prova e o seu sucesso, pelo feedback que temos tido, é o de proporcionar aos atletas inscritos um cenário à “CrossFit Games”. É claro que numa escala reduzida mas queremos que eles participem na nossa prova e se sintam ATLETAS. Para isto muito contribui o apoio do André Cunha e do nosso Roberto Góis que é o Homem das ideias que no início parecem mirabolantes mas que na verdade são geniais.

Em 2018 surge a oportunidade de abrirmos uma box na Figueira da Foz, o Sal CrossFit (continuidade do CrossFit Figueira) que é uma box irmã da Naval Box. Partilhamos dos mesmos valores e vamos lá algumas vezes durante o ano (não tantas quanto desejaríamos).

Em jeito de conclusão, a minha sugestão é que quem ainda não se rendeu à modalidade deve, urgentemente, experimentar uma aula e perceber a magia da modalidade. A melhor forma da tua vida ainda é passível de ser alcançada quer tenhas 20,30,40,50 ou 60 anos. Deixa o ego de lado. Não se foquem tanto no resultado em função do resultado dos outros mas sim em função daquilo que fizeste hoje e não conseguias fazer ontem. Só assim vais desfrutar verdadeiramente da melhor hora do teu dia.

Bons treinos.

Igor Aguiar

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