“Parabéns!!! É um/a menino/a. Já completamos todos os testes preliminares e está tudo bem! Um futuro triunfante o/a espera…”. Provavelmente foi com um discurso semelhante, que um médico presenteou a tua mãe aquando do teu nascimento.

Bem, o que ele não lhe disse, foi que havia apenas um pormenor delicado. “A partir deste momento e para o resto da sua vida, o seu filho vai repetidamente e sistematicamente entrar num estado de aparente coma. Por vezes vai parecer mesmo morto. Enquanto que o seu corpo ficará inerte a sua mente irá estar cheia de incríveis e bizarras alucinações, este estado consumirá 1/3 da sua vida e não faço a mínima ideia do porquê.”

Ora, conhecemos e percebemos as funções das outras necessidades básicas da vida – Comer, beber e reproduzir. No entanto, a quarta necessidade básica, dormir, continua a dar muito trabalho aos cientistas.

Será assim tão importante, ou como um notável Dr. disse, “se dormir não é uma função absolutamente vital, então é o maior erro que o processo evolutivo já fez.”?

Numa análise evolutiva, apesar de parecer um fenómeno biológico parvo, porque impossibilita de alimentar, socializar, encontrar um parceiro e reproduzir e porque deixa vulnerável à predação, o sono persistiu. Esta preservação do sono através do processo evolutivo significa que deve ter tremendos benefícios que superam todos os perigos e desvantagens.

A Organização Mundial da Saúde (WHO) recomenda aos adultos a dormirem cerca de 8 horas/noite.

Dois terços dos adultos de todas as nações desenvolvidas falham na obtenção da recomendação…

Hora de Dormir

Já passa das 22h30 e à medida que escrevo estas palavras parece que sinto um relógio dentro da minha cabeça, bem no centro do cérebro, a soar um alarme. Não é o habitual alarme para despertar, é um alarme para adormentar…  A cada frase sinto-me cada vez mais cansado, sinto os efeitos de uma substância a acumular e a criar uma pressão cada vez maior para a cair no sono.

Existem dois fatores principais que determinam quando queremos dormir e quando queremos estar acordados.

O primeiro, é o sinal irradiado pelo nosso relógio interno de 24 horas localizado profundamente no cérebro. O relógio cria um ciclo, dia-noite, que nos faz sentir cansados ou em alerta em horários regulares da noite e do dia respetivamente. É o ritmo ou ciclo Circadiano.

 

O segundo fator é uma substância química que se acumula no nosso cérebro, a adenosina, e cria uma “pressão de sono” Quanto mais tempo estamos acordados mais esta substância se acumula, e por consequência, mais sonolentos ficamos.

 Adenosina

É o equilíbrio entre estes dois fatores que dita o quão alerta e atentos estamos durante o dia e quando nos sentimos cansados e prontos para dormir à noite e, em parte, quão bem vamos dormir.

Ritmo Circadiano

Quem nunca fez uma “direta” e sentiu-se bastante desperto na manhã seguinte?

Porque será que não estamos completamente de rastos nestas horas matinais?

Todos nós produzimos um ritmo circadiano. É o nosso relógio interno.

O nosso relógio de 24 horas ajuda a determinar quando queremos estar acordados e quando queremos dormir. Para além disso também controla outros padrões rítmicos tais como, a altura preferida para comer e beber, as nossas emoções e disposição, a quantidade de urina produzida, temperatura do corpo, a nossa taxa metabólica e a libertação de numerosas hormonas.

Bem, na verdade este ritmo circadiano anda em redor de 24 horas e 15 minutos, não muito longe das 24 horas de rotação da Terra…

Por este motivo, a luz do sol funciona como um relojoeiro que acerta o tempo, reajusta metodicamente o nosso relógio interno impreciso todos os dias, retrocedendo-o precisamente, vinte e quatro horas.

O motivo pela adoção deste ritmo circadiano é para sincronizar as nossas atividades internas (temperatura) e externas (alimentação), com a rotação da terra, a fase regular de luz e escuridão.

A luz solar, é o sinal preferido que o cérebro utiliza para realizar o reset do relógio biológico. No entanto, o cérebro usa outras pistas externas, desde que estas, de forma confiável, se repitam, tais como a alimentação, o exercício, a socialização e flutuações de temperatura.

Ou seja, existem vários gatilhos sincronizadores, que nos permitem realizar o reset preciso de 24 horas do nosso relógio biológico.

Para os humanos, o ritmo circadiano ativa vários mecanismos no corpo e no cérebro durante as horas de luz solar que são responsáveis por nos deixar acordados e em alerta. Durante a noite estes processos são inibidos, removendo esta influência de estado de alerta.

Em suma, o estado de vigília e sono estão sob controle do ritmo circadiano. O ritmo circadiano vai realizar o seu reset, quer tenhamos dormido ou não.

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer…

Na verdade, este provérbio não se aplica a toda a população.  Não é apenas uma questão de preguiça, desleixo, ou falta de resiliência.

Apesar de todos os humanos possuírem o seu relógio biológico, o ritmo circadiano, e respectivo pico e alterações de alerta são surpreendentemente diferentes de um indivíduo para o outro.

Para algumas pessoas o pico de vigília aparece ao alvorecer e o estado de sonolência acontece ao início da noite. Estas são do “tipo madrugador”, as “andorinhas”, e abrangem cerca de 40% da população. Preferem acordar com a alvorada, são felizes ao fazê-lo. Funcionam perfeitamente neste horário.

Outros são do “tipo noturno”, as “corujas” e contam com 30% da população. Estes naturalmente preferem ir para a cama mais tarde e consequentemente acordam mais tarde.

Os restantes 30% da população estão entre as “andorinhas” e as “corujas”.

Ao contrário das “andorinhas”, as “corujas” normalmente são incapazes de adormecer cedo, não importa o quão árduo elas tentem, normalmente só conseguem adormecer profundamente durante a madrugada.

As “corujas”, naturalmente, não gostam de acordar cedo. São incapazes de funcionar com o máximo desempenho neste horário.

Uma das causas é que o seu cérebro em vez de estar “acordado”, permanece num estado semelhante ao do sono, durante as horas iniciais da manhã. Isto

nota-se essencialmente no córtex pré-frontal, que se situa acima dos olhos. Este controla funções executivas, tais como planeamento, tomada de decisões, atenção e memória de trabalho (curto prazo).

Quando uma “coruja” é obrigada a acordar cedo, o seu córtex pré-frontal permanece num estado desativado. Tal como um motor frio que inicia o seu trabalho numa manhã gélida, vai demorar algum tempo a aquecer e a operar eficientemente.

Infelizmente, a sociedade trata-as de forma bastante injusta em duas situações.

A primeira, é pelo facto de as rotularem como preguiçosas. Os matutinos castigam-nas com a suposição errada que tal preferência é uma escolha, e que se as “corujas” não fossem tão desleixadas poderiam facilmente acordar cedo.

Contudo, elas não são “corujas” por escolha, o seu cronótipo é fortemente influenciado pela genética.

A segunda situação é o mercado de trabalho. Está fortemente implementado a iniciar cedo, punindo mais uma vez os vespertinos. Isto obriga as “corujas” a adotarem um ritmo não natural de sono-vigília. O seu rendimento é menor pela manhã.

Para além destas situações, problemas de saúde são despoletados por uma carência de sono, incluindo altas taxas de depressão, ansiedade, diabetes, cancro, e ataques cardíacos.

A esta altura estão-se a questionar-se sobre o porquê destas variações de pessoa para pessoa.  Sendo nós humanos, um ser social, não deveríamos estar todos sincronizados para promover ao máximo as interações?

Bem, a justificação está no passado. Realizando uma viagem à pré-história, percebemos que para a sobrevivência da espécie, uma tribo não podia dormir toda ao mesmo tempo, uma vez que iria ficar completamente exposta aos predadores.

As “corujas” do grupo não iam dormir até as duas ou três da madrugada e não acordavam antes das nove ou dez da manhã. As “andorinhas”, por outro lado, retiravam-se para o sono ao final do dia ou início da noite e acordavam às cinco da madrugada. Desta forma o grupo reduzia o tempo em que se encontrava completamente vulnerável.

Consegues identificar a que grupo pertences?

Por: Hélder Filipe Santos

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