Do Calisthenics para o Crossfit

O Planeta Crossfit esteve à conversa com a Rosana Machado, para quem não a conhece a Rosana é atleta, organizadora de eventos e tem uma box de Crossfit. Não perca já de seguida a pequena conversa onde ela nos fala um pouco sobre si, e como vê a modalidade.

P.C –  Antes de mais obrigado pela disponibilidade para esta pequena conversa. Comecemos pelo inicio, como é que o Crossfit entrou na tua vida?

R.M – Olá Orlando, em primeiro lugar quero agradecer-te o facto de me dares a oportunidade de fazer parte do teu blogue. Sempre estive ligada ao desporto desde muito nova, comecei na natação e fui atleta de voleibol desde mini a sénior. Entretanto entrei na Universidade do Minho em Braga e o voleibol teve de ficar para trás, contudo continuei a praticar desporto frequentando ginásios, fazendo aulas de grupo e jogando voleibol sempre que me era possível. Em 2013 a jogar Voleibol por lazer, estupidamente fiz uma rutura total do ligamento cruzado anterior. Fiz a cirurgia de reconstrução do ligamento e passei por todo o processo normal de recuperação deste tipo de lesão. Quando aos três meses de pós-operatório por incentivo do meu irmão que na altura andava viciado em Street Workout e tudo que fosse movimentos à base da Calistenia, decidi trocar a fisioterapia diária pelo Calisthenics. E foi uma das melhores opções que tomei até hoje por várias razões, mas acima de tudo porque foi devido a isto que um pouco mais tarde o Crossfit entrou na minha vida.

P.C – O que é que te apaixona tanto na modalidade?

R.M -Tudo que a caracteriza. Todas as sensações consequentes do Crossfit sejam elas boas sejam elas más. A minha Mãe chama-se maluca quando chego ao pé dela toda pisada ou com as mãos todas ensanguentadas e tem toda a razão … Sou maluca por esta modalidade! O Crossfit talvez tenha sido uma das melhores coisas e piores que me aconteceram na vida e eu não o troco por nada.

P.C – Quando é que decidiste abrir a tua box a CalisCross Box?

R.M – Como escrevi anteriormente após a minha lesão comecei a treinar Calisthenics com o meu irmão juntamente com o meu namorado e mais um grupo de amigos e formamos um grupo de treino de nome Calisthenics Addicted: Your Body is Your Gym. Quando as barras dos parques infantis de Vila Real  deixaram de ser suficientes, decidimos por o meu carro a dormir na rua e montar uma estrutura de Street Workout na minha garagem! Além dos habituais treinos ao estilo “lista de compras para o mês inteiro”, fazíamos desafios de Crossfit apenas com exercícios de ginástica mas sempre tudo em strict. Entretanto a garagem tornou-se pequena para tanta gente e para o monstro do Crossfit que não parava de crescer nas nossas cabeças de dia para dia.
Em Outubro de 2015 eu, os meus irmãos, a minha cunhada e o meu namorado todos eles da área de desporto, decidimos arriscar tudo e tornar a CalisCross Box num sonho bem real.

É uma luta diária pois todos eles dão aulas em escolas longe de Vila Real, eu trabalho na área em que formei estando apenas a Rita a tempo inteiro. O Wod que é os nossos dias começa bem cedo e termina bem tarde, com muitos quilómetros pelo meio e duas crianças pequenas, contudo apesar das 24 horas do dia se terem tornado escassas, desde então que nos sentimos todos seguramente mais felizes e realizados.

P.C – Sei que não dás aulas porque não tens tempo, tens outra atividade profissional e preferes treinar certo? Não está nos teus planos te dedicares a 100% e dares aulas também?

R.M – Não, claro que não! Seria uma inconsciência abandonar a minha área profissional que é o que me dá estabilidade, que me permite ter qualidade de vida e dedicar-me exclusivamente a dar aulas ou à gestão da Box.
O meu sonho sempre foi seguir desporto e até hoje não sei como com 17 anos tive a capacidade de ir atrás da empregabilidade e não dos meus sonhos. Licenciei-me em Optometria e Ciências da Visão, comecei a trabalhar na minha área profissional mal terminei o curso, tendo uma situação estável e onde fui progredindo desde então e aos 29 anos atingi uma estabilidade que me permitiu realizar o meu sonho, ou seja, foi “ouro sobre azul”.

P.C – Este ano estive presente nos CalisCross Games, quero-te dar os parabéns pelo evento e a toda a organização. Tens competido em alguns eventos, e na pele de organizadora o que achas que poderia ser melhorado nos nossos eventos ao nível de organização e wods?

R.M – Em primeiro lugar muito obrigada por teres estado presente e por teres imortalizado em fotografia grandes momentos dos CalisCross Games 2017.

Organizar uma competição tem muito que se lhe diga! A logística não é fácil desde a organização dos wods, a preparação da arena e todo o material necessário, os apoios, as licenças para isto e aquilo. O número de wods, o tempo de cada heat em função do número de atletas e nós tivemos 136 atletas a competir em categoria individual … foi uma grande tareia mas que no final valeu muito a pena.
Da experiência que tenho em competição e dos eventos que já assisti dentro e fora de Portugal, penso que Portugal está num bom caminho. Notam-se upgrades bastante bons de edição para edição das várias competições a nível nacional e a tendência é melhorar. Obviamente que há sempre falhas, mas se acontece em eventos de grandes dimensões com uma retaguarda que não lhes deixa faltar nadinha como os Crossfit Games … não ia acontecer em Portugal? Claro que sim, e é precisamente devido essas falhas que a fasquia sobe de competição para competição.

P.C – O Crossfit está a ter um “BOOM” impressionante um pouco por todo o mundo. É a modalidade de fitness do momento! Estão cada vez mais a abrir boxes um pouco por todo o país, não temes que a modalidade perca um pouco a “força” e a oferta comece a ser maior que a procura?

R.M – Não penso muito nisso, uma pessoa passa metade da vida a preocupar-se com coisas que nunca chegam a acontecer. Tentamos forcar-nos no presente, aprender e melhorar dia após dia. Todos os dias fechamos a Box com a certeza de que os nossos Atletas saíram mais fortes do que quando entraram, de que fizemos um bom trabalho e isso é suficiente para ter um pensamento positivo em relação ao quer que possa vir a acontecer.

P.C – Muita gente ligada a outros programas de Fitness e não só, querem fazer passar a imagem que o Crossfit é perigoso. Como é obvio eu sei que não é, mas o que tens a dizer sobre isto?

R.M – O Crossfit é tão perigoso como outro desporto qualquer. Fiz uma rutura total do ligamento cruzado anterior a jogar voleibol e nunca fiz nenhuma lesão grave no Crossfit, o que também não significa que não possa vir a fazer.
É importante que os treinos sejam comandados por bons profissionais, capazes de corrigir possíveis más posturas e desta forma evitar lesões como em qualquer outra modalidade. É também muito importante ser-se um bom aluno, ter-se consciência corporal e não querer ser o Froning em dois dias.

P.C – Faço sempre esta pergunta a todos os meus entrevistados, o Crossfit é mesmo para toda a gente?

R.M – Claro que sim. É um tipo de treino que permite adaptar qualquer movimento às fragilidades e capacidades de cada um. Além dos benefícios físicos que o Crossfit traz, também torna as pessoas mais felizes e quem é que não gosta de se sentir feliz??

P.C –  Planos para o futuro?

R.M – Tudo o que planeei ao nível da competição teve de ser adiado pois descobri recentemente que estou grávida. O meu objetivo neste momento não é competir, muito menos bater PR’s, neste momento o foco é manter uma gravidez saudável, manter-me ativa e conseguir praticar Crossfit até ao final da gestação. E para mim, isso sim vai ser bater um grand PR até porque vou treinar sempre com um “colete” especial nos próximos meses. O Crossfit dá-nos uma variedade enorme de possibilidades de adaptação e acho que isso é uma das coisas que mais me fascina nele.
O que não vai ficar adiado vai ser a preparação dos CalisCross Games 2018 e tornarmos esta competição numa prova de referência a nível nacional. Este ano o feedback foi bastante positivo mas para o ano prometemos que vamos fazer tudo o que nos for possível para que corra ainda melhor e prometemos que vamos surpreender.

P.C – Obrigado Rosana pela disponibilidade para termos esta pequena conversa. Queres deixar algum conselho, consideração que aches importante passar para os leitores do blogue?

R.M – Quem já pratica Crossfit sabe bem o que é este vício e tudo de bom que ele nos traz.
Quem nunca experimentou ou está na dúvida se deve ir ou não … procurem uma Box e siga à confiança, pois asseguro-vos que o único risco que correm é ficarem viciados 😉

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