Recentemente, tivemos a oportunidade de estar presente num workshop de ginástica no Barra Norte Crossfit. Este workshop foi ministrado pelo Rafel Kilipper, no final do primeiro dia do workshop, estivemos à conversa com o Rafa, falamos um pouco sobre ginástica, dos atletas portugueses e algumas coisas mais.

Para quem não o conhece, o Rafel Kilipper é Brasileiro, tem 28 anos, foi atleta de alta competição em ginástica clássica por cerca de 12 anos. Corria o ano de 2012 sensivelmente, quando o Rafael “conheceu” o CrossFit. Fez alguns cursos, especializando-se em alguns pontos específicos dentro do Crossfit. Fez também cursos de LPO (weightlifting) onde também deu alguns workshops. É atleta e coach de CrossFit.

Atualmente tem um programa (metodologia), que se chama IRC (Insista, Resista, Conquista).

Acredito que em tudo na vida é preciso uma dose de persistência, para conquistar algum objetivo. A ginástica aplicada ao CrossFit também não foge a esse formato. – Rafel Kilipper

O Feedback dos workshops tem sido de tal forma positivo, que já foi convidado para dar alguns workshops em Portugal, Suíça. Londres, Angola.

Perguntei ao Rafa, se o que se ensina em termos biomecânicos na ginástica aplicada ao CrossFit é o mais correto, como podem imaginar a reposta foi:

 A gente transfere um pouco da ginástica clássica para o CrossFit, por causa da sua base biomecânica. Porem a parte técnica de base fica-se apenas pelos treinos, na competição os atletas procuram o que chama-mos de vantagem biomecânica. Existem algumas adaptações neurais e motoras para tais movimentos. – Rafel Kilipper

Perguntei também, quais as principais diferenças que ele notou em termos de ginástica, dos atletas Portugueses para os Brasileiros.

Um dos pontos positivos que notei neste primeiro contato, é que a base de movimento dos atletas/coaches é muito boa. Não tinham grandes dificuldades, a aplicação das variações foi tranquila e a evolução foi boa. No Brasil percebemos que muitos não tiveram a base de movimentos, não praticaram nenhum desporto anteriormente, ou mesmo no ensino (escola) não lhes foi transmitido nenhuma base de movimentos.

Aqui vi o contrário, mas notei alguma carência de alguns processos pedagógicos, de entendimento desses mesmos processos para a aplicação da ginástica no CrossFit. – Rafel Kilipper

A parte do core é fundamental para a ginástica, e para praticamente todos os outros movimentos. É uma das carências que o Rafel nota, em praticamente todos os atletas, mesmo os de elite.

O core é fundamental porque são os estabilizadores do nosso corpo, são músculos que acabam por trabalhar a performance dentro dos movimentos. Isto não arconte só na ginástica, praticamente em todos os desportos. Estabilizar o tronco é eficiente para o movimento humano. É um dos pontos mais carente dentro dos atletas de elite, trabalho com alguns atletas de elite do Brasil, e eles não têm uma força no core condizente com a força de braços, ou de pernas. Muitos se preocupam em fortalecer a musculatura superior e inferior, e não a central (core). –  Rafel Kilipper

O Crossfit é um desporto que no leva a determinar objetivos.

O que eu mais gosto neste desporto, é que nos mostra o quão longe podemos ir. Quando colocamos como objetivo determinada coisa, ele mostra-nos que somos capazes de fazer algo que nem imaginávamos fazer. Continuem acreditando, respeitem o processo de base, porque só assim é que temos uma vida útil, saudável dentro do desporto.

Respeitar o coach, persistir nos sonhos e nos objetivos se querem conseguir fazer ou melhorar, o handstand walk, ou o muscle up. Um dia isso será possível, só depende de vocês e do quanto acreditam em si mesmos. A base é o fundamental de tudo, quanto maior a base, maior será a pirâmide. – Rafel Kilipper

Só me resta agradecer ao Rafel Kilipper pelo tempo dispensado para esta pequena conversa, e pela simpatia. Um ser humano fantástico, com muito para ensinar, tenho a certeza que os participantes do workshop também sentiram o mesmo!

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