O jejum intermitente é um estilo de alimentação que tem vindo a ganhar popularidade nos últimos anos, devido a sua adoção e promoção por parte de influenciadores das redes sociais, atores e outras personalidades famosas.  Alguns dos benefícios citados por estas pessoas são a “superioridade para perda de peso”, “tornar a gordura como fonte de energia”, “reversão de doenças auto-imunes”, entre outros.

Como podem constar o jejum intermitente parece ter uma espécie de “super-poder”, dada à promessa de curar quase todos os males. Mas será que é mesmo assim? Vamos então ver o que é que a literatura científica nos diz sobre o tema.

Primeiramente vamos diferençar as principais modalidades de jejum intermitente:

  1. Jejum alternando o dia (ADF) – Implica 24 horas de jejum completo alternando com outras 24 horas de alimentação normal. No dia seguinte ao jejum, mesmo comendo mais do que o normal, por norma não há compensação das calorias não ingeridas no dia de jejum, o que resulta em perda de peso;
  2. Alimentação com restrição de tempo (TRF) – Talvez a mais utilizada, consiste num período de jejum de 16 a 20 horas seguido de um 4 a 8 horas de alimentação. Dada à sua similaridade ao Ramadão, em que a comida e fluidos só podem ser ingeridos após o pôr-do-sol até o nascer do mesmo, esta é das modalidades de jejum mais estudadas.

A maior revisão de estudos disponível incluiu 40 trabalhos em que compararam a restrição calórica intermitente, ou seja, modalidades de jejum intermitente, com restrição calórica contínua, ou seja uma dieta reduzida em calorias constante ao longo das semanas e meses.

Concluíram que que ambas as formas são válidas e resultam em perdas de peso e composições corporais similares, tornando o jejum intermitente uma opção válida para a perda e/ou controlo do peso corporal. A perda de peso em humanos é um processo mais comportamental do que fisiológico e por isso a adesão à estratégia de perda de peso é o ponto mais importante, logo o jejum intermitente pode ser a opção mais adequada para algumas pessoas.

E em atletas? Neste grupo são observadas perdas de performance atlética de forma consistente entre estudos. O elevado volume de treino semanal aumenta as necessidades energéticas e de alguns macronutrientes, em especial os hidratos de carbono coloca os atletas numa situação menos favoráveis, uma vez que não conseguem encher as suas reservas de energia por completo.

Um outro fator a ter em conta é o impacto sobre pessoas suscetíveis a desordens alimentares ou indivíduos com historial destas patologias. A realização de estratégias dietéticas drásticas nesta população, está associada a desordens alimentares como a anorexia e bulimia nervosa.

O jejum intermitente, é um tipo de alimentação legítimo e eficaz quando a redução do peso corporal é o objetivo central, no entanto quando a manutenção da performance atlética é necessária, uma perda de peso através de uma estratégia mais tradicional com défices menos severos, e com incorporação de métodos de mitigação de perdas de massa magra são uma opção superior.

Por: Gonçalo Contente Nutricionista

Artigo anteriorEgo Monster, Como Pode Interferir No Teu Processo – Parte 1
Próximo artigoEgo Monster Como Pode Interferir No Teu Processo – Parte 2

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui