De miúdo magrinho a Beast no Snatch

Olá Planeta CrossFit, foi me proposto escrever sobre o meu percurso, com todo o grado o vou fazer, e desde já agradeço todas as palavras de encorajamento de todos, sois os maiores!

Não sei bem por onde começar, mas faz todo o sentido ser pelo inicio! Ahah

Sou o José Gregório, tenho 21 anos e desde sempre fui um sonhador. Nasci e cresci em Aveiro. Desde cedo sempre fui extremamente ativo, e sempre me foi implementado que para atingir qualquer coisa é “trabalho, trabalho e trabalho”. Lembro me de ser pequeno, andar na pré primaria e ajudar a minha avó a fazer os trabalhos da terra. Levar baldes com terra de um lado para o outro, ajudá-la a semear batatas até plantar girassóis, cortar erva para dar às cabras e no verão apanhar o milho, malhá-lo e secá-lo para dar as galinhas. Mas o meu favorito sem duvida alguma que me deixa muitas saudades era rachar lenha, ainda tenho o machado guardadinho! Bons tempos, olhando para trás não mudava um segundo! Claro também que trepar qualquer tipo de árvore, jogar à bola (sim eu sei, já joguei já) e andar a correr (acreditem) para trás e para a frente era sempre que possível!

Depois entrei na escola, sempre gostei de aprender, a disciplina favorita era estudo do meio.

Nessas alturas eu não praticava desporto com nenhum intuito competitivo, mas o meu pai tendo o background que tem, desde cedo me fazia treinos de flexibilidade, força e cardio. O que gostava mais de fazer era elevações, flexões e qualquer tipo de saltos.

Fiz a primaria, fui para o ciclo. Essa transição foi estranha porque, enquanto crianças temos de estar mais distantes dos nossos pais, conhecer pessoas estranhas e inserir-nos noutro ambiente totalmente diferente da primariazinha que toda a gente se conhece e tem aulas juntos. Confesso que não foi fácil para mim, e para ajudar o pessoal mais velho “da street” gozavam comigo por ser muito magrinho (hoje em dia quando passam por mim parecem gelatina), mas nunca deixei que isso me deitasse abaixo, sempre acreditei que era melhor que eles de alguma maneira, nem considero isso bullying pois penso que isso é um estimulo, ao qual adaptamos e ficamos mais fortes, mente forte, corpo forte!

De qualquer maneira lembro me que foi por essas idades que comecei a competir em algo, era o puto mais rápido da escola e saltava uma distancia engraçada. Foi aí que um professor me disse para ir competir a uma competição inter-escolas de atletismo. Ganhei a corrida mas não me lembro o lugar do salto, sei que foi bom um segundo ou terceiro! Também tive de correr a milha nessa competição, acho que foi desde ai que deixei de gostar de correr muito.

Depois no 7º ano fui para a secundaria, ai não tinha problemas pois mal entrei, havia um sitio que tinha barras para fazer elevações, onde havia pessoal das turmas de desporto que iam para la fazer elevações, e graças aos treinos do meu pai eu chegava lá e envergonhava-os, fiz muito bons amigos à conta disso, cada intervalo era uma competição para ver quem sacava mais pull ups ou bar muscle ups. Era ai que ser levezinho me dava a vantagem ahahah!

Comecei também nessa altura, por causa dos meus amigos a fazer ginástica, todas as quartas à tarde! Toda a facilidade que se vê quando executo movimentos de ginástica hoje em dia, muito é devido ao treino que o meu pai me dava enquanto criança e o que aprendi e fiz enquanto pratiquei ginástica. Competi também em ginástica em aparelhos e ginástica de solo. Era bem classificado! Depois queria mais, aquele tipo de treino já não chegava, então para aí no 8º ano perguntei aos meus amigos do 12 se podia ir treinar Tricking com eles, e eles todos me acolheram muito bem, top mesmo! Os treinos de Tricking com o pessoal eram sempre top, o highlight da semana, amizades essas também que estão sempre presentes! Aprendi tantos saltos, tanta cena à ninja, é pena se calhar hoje em dia não conseguir sacar metade do que sacava.

Pela mesma altura entrei no Kickboxing num clube de Ílhavo chamado “os Ílhavos”, também gostei muito dessa passagem desportiva na minha vida, aprendi muito, respeito pelo adversário, perseverança, carácter… Aí, não fosse a minha natureza também competi, ganhei várias galas, fui campeão regional e recebi outros títulos.

Talvez aos 15/16 anos chateei-me com o desporto, não sei bem porquê, mas parei de fazer tudo, mas mesmo assim não conseguia estar um dia parado, tenho de ter sempre um objetivo para qualquer coisa! Todos os dias saía para fazer alguma coisa, ir com colegas da turma fazer “hikes” pela floresta fora, ou ia andar de bicicleta, ou ia fazer parkour com um grupo que tínhamos. Nada competitivo, estava um pouco farto de competir diga-se a verdade.

Depois também me fartei de andar a fazer zero e de não estar a evoluir da maneira que queria.

Penso que competia na categoria menos 60kg não me recordo ao certo, sei que era bastante fininho! E desde essa altura talvez só pesasse 65/66kg. Uns colegas de turma andavam me sempre a picar para ir para o ginásio com eles porque, diziam eles, era “ d’aço”.

Fui com eles e no primeiro treino, como já disse numa entrevista no primeiro dia sem ter alguma vez feito “ferro” a serio, tirei 160kg do chão e fiz bench com 80 kg, não agachei, sei que fiz reps com o peso máximo da extensora de quadríceps.

Pronto e este foi o inicio da minha historia de CrossFit!

Eu andei nesse ginásio em Ílhavo durante penso que um ano a fazer “bodybuilding” tinha bons resultados, dos 65 passei para os 74/75kg, era forte, mas era desproporcional de tronco para perna. Foi também nessa altura que ganhei as minhas bases de força, e em certos exercícios estava muito mais forte do que estou agora!

Nesse ginásio abriu um sítio onde se podia fazer Crosstraining e fui desafiado pelos amigos a começar a fazer CrossFit. Comecei passado algum tempo de andar a dizer que ia ficar fininho, e eles a insistirem que ia ser fixe, ainda bem que lhes dei ouvidos! A minha primeira competição de CrossFit foi pouco tempo depois nos Promofit, em que fiquei a meio da tabela. Passado pouco tempo competi nos Extreme games e fiquei em quarto ou quinto já não faço ideia, e fui competindo e competindo, treinando e treinando, e voltei a ir aos Promofit tendo me qualificado muito bem, mas com um wod de piscina (eu a nadar sou como o aço, mesmo!) e pronto, depois foi os Affiliate league onde fiquei em 4 lugar, mas que fiquei empatado com um atleta em 3 lugar, mas com o critério de desempate fiquei para trás. Pouco tempo depois fui aos Kings of Wod, onde mais uma vez fiz uma qualificação muito boa, mas fui para final lesionado no romboide direito, tudo o que era usar o braço em algum plano de movimento era estupido e doía-me muito, mas foi a terceira melhor competição onde estive, foi muito top! Antes destas duas competições fui competir a um meet de powerlifting que basicamente era, um free for all, não havia classes de peso, quem tivesse um total maior ganhava, fiquei em segundo com um total de 522kg se não me engano, conheci atletas muito bons, e com muito futuro pela frente no mundo da força!

Depois disso, fui a mais uns Promofit, em que não me lembro que lugar fiquei, mas fui à final.

À uns tempos atras vi uma competição chamada de Ultimate Power Fitness Games, e soube que quem estava a organizar era uma pessoa que eu tinha e ainda tenho como exemplo cá em Portugal no mundo do CrossFit o Miguel Caratão, decidi inscrever me, e valeu todos os cêntimos, consigo dizer com toda a clareza que cá em Portugal não há competição que bata, a nível de ambiente, profissionalismo, programação, juízes, staff, tudo! Não é estar a polir nada, até porque não preciso, e porque sou amigo do Miguel, é o que acho, quem lida comigo diariamente sabe muito bem que digo o que tenho a dizer seja a quem for seja bom ou mau. É a minha natureza, já perdi muito e também já ganhei muito por ser direto, mas não gosto de mascarar a verdade! Esta competição nas duas edições que fui, e tenho pena de não ter ido à primeira, nenhuma dessas vezes vim de la a queixar me de algo, só contente de ter crescido com a passagem por lá!

Por falar em nomes, há muitos atletas de CrossFit cá de Portugal que sabem o valor e a amizade que tenho com eles! Não preciso de dizer os nomes porque quem sabe, sabe e a convivência nas competições cá são a prova!

À algum tempo para trás mudei me para o CrossFit Aveiro, onde treino agora, e tenho um parceiro de treino diário, que está la a roer da mesma carga de lenha que roo todos os dias, esse monstro é o Renato Martins, e só digo para porem o olho nele. É um aviso!

Agora vem a parte do porquê de eu fazer o que faço.

Antes de tudo, sempre fui, sou e serei competitivo! Prefiro morrer a tentar do que não começar! Dessa mentalidade vem coisas boas e coisas más, como mesmo com dor todos os dias, fadiga, sono, dou o corpo ao manifesto e vou fazer a minha parte. Não digo que seja a maneira mais correta de treinar para competir, mas é a minha!

Espero com o meu esforço chegar onde quero chegar, que é o topo da competição, mas sou eu e mais uns milhões que querem chegar ao topo, estou aqui para dar a luta necessária. Quero também usar o desporto para inspirar jovens, a serem fortes, saudáveis e a optar por um estilo de vida que quando forem velhos se orgulhem de o ter vivido!

Da minha historia atlética, o epitome, foi os German Throwdown, a quem tenho de agradecer ao pessoal do CrossFit Aveiro, por terem ajudado, ao ter pensado em eventos e maneiras de conseguir dinheiro para ajudar com despesas de viagem, estadia etc. Vocês são os maiores, um muito obrigado a todos!

Há e já sabem quem quiser patrocinar, pode entrar em contacto comigo em qualquer rede social, fica a dica ahahahah!

A competição lá foi qualquer coisa que eu descrevo de surreal. Surreal porque? Porque estamos habituados a ver aqueles monstros no pc nos vídeos, deixamos de ter noção que eles são pessoas como nós. Ver atletas do calibre dos Games e perceber que “ya, respira, treina e mexe se como eu” foi uma conclusão engraçada. Desse fim de semana levo muitas coisas para o futuro, a maior delas, amizades novas e muito crescimento atlético. Foi top, por 3 pontos que não fui à final, mas por outro lado deu para ganhar um wod, numa arena recheada de monstros… e que wod fui eu ganhar? Uma ladder de snatch não fosse esse o caso, onde fiz 125kg de snatch fazendo assim um pr de 5kg e logo de seguida no fim do tempo que acho que era um minuto tive de fazer 11 back squats para ganhar por um back squat ao mutante do Adrian Mundwiller.

Foi também uma experiência única estar com o Adrian falar com ele, e perceber que o que faço não está nada longe do que estas maquinas fazem. É um tipo muito fixe e tranquilo!

Em termos de organização é o que se espera de uma organização que tem um cache mais puxado, era tudo ao mais alto nível, e muito profissional, tirando a altura que estava a fazer muscle ups nas argolas em desnível, mas nada demais, prossegui perante a adversidade e tirei 5º lugar nesse treino. Zona de atletas maior que o que as competições em Portugal podem ter, material Eleiko, aguas, sumos, fruta, comida à descrição para todos os atletas. Juízes ao mais alto nível de standard, e orgulho me de dizer que na competição toda levei com 3 no rep!

Coisas que acho que organizações devem ter em conta e tirar da experiencia dos German Throwdown, é meter carga nos wods, deixar de fazer body pump, e aprender com a programação dos wods! As mulheres tugas estiveram impecável nesse fim de semana, os homens também. Demos todos o nosso melhor!

A estadia com o Coach José Pedro foi uma aventura, desde andar perdidos em Mainz, ate comer kebabs sub-standard, top!

Para 2017 esperem mais, e melhor!

José Gregório

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