Obrigado pelo desafio que me colocaste de escrever sobre a minha experiência no Crossfit.

Experimentei Crossfit como a maioria de nós, a imitar vídeos do youtube em casa.

Durante muitos anos fiz Alta competição no Rugby e o Crossfit apareceu numa altura da minha vida em que o meu percurso na Seleção Nacional tinha terminado e não estava motivado a jogar.

Rapidamente fiquei viciado (como todos nós) .

Sempre gostei de competir e sempre treinei com foco em competições e o Crossfit possibilitou-me isso.

Seguiu-se um período de 3 anos em que foquei o meu treino (sem deixar por completo o Rugby) em competir em Crossfit. Consegui participar nas melhores provas a nível nacional e em algumas provas de nível inferior no estrangeiro.

Em 2017, a Medicina levou-me a mudar de cidade e de país. Claro que procurei a Box local quando me mudei para a Alemanha. Apesar de atualmente a competição no Crossfit já não ser uma prioridade para mim, continuo a treinar sempre que tenho tempo (felizmente consigo fazê-lo quase todos os dias).

Quando me pediste para escrever, disse-te que iria ter uma opinião controversa, que não acho que o Crossfit seja um desporto, apenas um método de treino. Mas não foi fácil justificar….

O atleta de Crossfit não é mais forte, não rema mais rápido, nem percorre maior distância num menor espaço de tempo …se quiser ver recordes nestas competências existem modalidades especificas (atletismo, remo, halterofilismos etc.)

Mas mais que a competição, são os valores que são importantes. E que valores são esses? Humildade, espírito de sacrifício, trabalho árduo, respeito pelo adversário, camaradagem, ambição coerência com o nosso perfil, disciplina pessoal, honestidade, transparência e boa vontade.

Encontrei todos estes valores, quer no treino, quer em competição.

O Crossfit permitiu-me explorar capacidades físicas que eu nem sabia que existiam e fazer coisas que eu não sonhava ser capaz. E eu não sou uma exceção, isto acontece diariamente com todos nós.

 

O treino para Crossfit abrange tantas componentes físicas que dificilmente, ou mesmo nunca, chegamos a um Plateau todos os níveis, nunca estagnamos. Quase a cada treino melhoramos, nem que seja uma pequena componente da nossa aptidão física.

Isto está intimamente ligado com um dos valores mais importantes do desporto: A superação. Querer fazer mais e melhor. Colocar tudo aquilo que sou no mínimo que faço (Será que o Ricardo Reis fazia desporto? Certamente teria gostado de Crossfit)

O clímax, a expoente máxima do desporto é ensinar-nos não só os valores mas ensinar-nos a levá-los do ginásio (ou da Box) para a vida pessoal e profissional. É isto que traz sentido ao desporto!

Quando me apercebi disto tornei-me ainda mais apaixonado por desporto. É estranho os grandes atletas serem pessoas competentes a nível profissional, terem relações interpessoais estáveis e serem mentalmente saudáveis? Para mim nada.

No meu dia-a-dia no hospital tenho de trabalhar em equipa com outros colegas (médicos, enfermeiros, auxiliares etc.)  Independentemente do grau académico e estrato social, consigo perceber facilmente quem faz desporto. (PS: Fazer “Fitpump” no ginásio não é fazer desporto).

A “comunidade” é algo incrível, as mudanças no estilo de vida, as novas amizades, a partilha de experiências.

Quantas pessoas saltaram do sofá para nunca mais voltar? Quantas deixaram de comer fast food?

Está aqui o segredo?

Este fator também está presente no Rugby ou no Basket. Em qualquer Box do mundo em que entre, um CJ é um Clean and Jerk e um T2b é atirar com os pés contra a barra. Há uma comunidade, falamos a mesma língua.

O Crossfit não mudou a minha vida, mas é sem duvida uma parte muito importante.

Resumindo temos competição? Sim! Estão presentes os valores do desporto? Sim! Temos uma comunidade, uma linguagem própria? Sim! Temos superação? Sim!

Torna-se difícil argumentar que não se trata de um desporto, mas porque temos de “engavetá-lo” num conceito? O Crossfit é o que é!

Diferenças entre o praticante de Crossfit, atleta e atleta de alta competição? Não me arrisco sequer em tentar definir …

Será que isso é importante? A meu ver não….

Por : Eduardo Sampaio Correia

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