Entrevista a Paco Bravo um atleta BOXPT que esteve nos Crossfit Games

O Planeta Crossfit teve acesso a uma entrevista que a BOXPT fez ao seu atleta Paco Bravo. Não perca já de seguida a experiência contada na primeira, pessoa de um atleta que já viveu por dentro a loucura dos Crossfit Games.

P.B –  Este ano, tive a sorte de participar nos CrossFit Games, na categoria Master 35-39, competindo ao lado de grandes nomes como Chris Spealler e Neal Maddox.

B.PComo é que foi a experiência de viver por dentro, e quais são as qualidades que achas mais importantes para poder competir nos CrossFit Games?

P.B –  Sem dúvida que todas as qualidades são fundamentais e cada uma delas tem a sua importância, pelo menos para competir em Alto Rendimento, seja a nível regional, nacional ou internacional. Mas se eu tivesse que destacar, certamente seria a capacidade cardio-respiratória. Se em cada um dos eventos, não estivermos a 100% a nível do cardio, muito do nosso desempenho fica afetado, e acima de tudo a nossa capacidade de recuperação também. Às vezes, ficamos obcecados com a força (máxima principalmente) em geral e deixamos a parte “metabólica” um pouco de lado, e deve ser o contrário, ou pelo menos dar mais alguma importância. Por exemplo, nos meus treinos e dependendo da fase em que estou, numa semana de acumulação ou descarga, a sessão de treino varia entre 60 ‘e 150’ aproximadamente. A coisa mais importante depois de viver a experiência dos Games é a qualidade no treino, e não tanto a quantidade quando já se tem alguma bagagem.

Eu sei o que tenho que melhorar… Já comecei a treinar no sentido de colmatar as minhas lacunas e quero muito voltar a competir nos Games! Menos de 5% dos atletas chegam lá, uma única no rep pode deixar-te de fora. A corrida, que é potencialmente o meu forte, é a minha maior lacuna neste momento por não a treinar o suficiente. Tenho que melhorar também o trabalho com barra. Na minha opinião, não podemos ser bons em apenas algumas coisas, temos que ser muito bons em tudo. Embora a parte metabólica seja fundamental (o Spealler foi ao pódio não tendo os melhores números em termos de força, bem como a Samanta Briggs).

Paco Bravo

B.P – Uma vez lá, houve muita diferença de nível entre os atletas?

P.B – Na verdade qualquer um pode ganhar um WOD sendo um dos 20 melhores do mundo, a diferença fundamental é a capacidade de assimilar esse volume de competição, 4 dias, 10 wods, briefings intermináveis, check-in 2 horas antes, aquecimento, tensão, stress … A diferença está na experiência (o pódio foi formado por 3 atletas com mais de 10 anos de experiência).  Pessoalmente, cheguei lá na minha melhor forma com marcas que não têm nada para invejar um RX e estive muito bem nos dois primeiros dias da competição. O problema foi a partir do terceiro dia, em que a recuperação foi diminuída. Por outro lado, quando num dos eventos, que tem um Time Cap de 15′, terminas em 11’10 “e ficas em 19º, começas a questionar algumas coisas! A leitura positiva é que numa janela de um minuto, todos terminamos com escassos segundos de diferença.

 B.P – Existe companheirismo ou há muita concorrência entre os atletas?

P.B – Eles vivem as duas coisas. claramente que o ambiente difere da categoria principal para a minha, onde pelo menos 15 já estiverem nos Regionals ou Games. Cumprimentamo-nos e pouco mais, todos concentrados e sem falar 30 minutos antes de entrar no wod. Na categoria das mulheres, assisti às atletas a cantarem “THUNDER” dos ACDC 1 minuto antes de iniciar o wod.

B.P – Como é um dia normal para ti?

P.B – Num dia normal, levanto-me às 07:00h da manhã e preparo-me para trabalhar das 08:15 até as 14:45h no instituto, onde lecciono Educação Física. Almoço às 15:30h e faço uma pequena sesta. À tarde, treino entre as 18:00 e as 20:00 e depois ou vou ao cinema ou dou um passeio com os meus cães. Se eu tiver que treinar bi-diário levanto-me às 06:00 da manhã, e faço a uma sessão de manha…. Este ano eu ainda não sei como será um dia normal, mas espero que não seja muito diferente! Acredito que o segredo está no fim de semana.

B.P – Tens algum episodio engraçado dos Games que queiras partilhar?

P.B – No primeiro dia depois de fazer o wod Swim Run e o RM Snatch, comi o meu prato de macarrão com grande entusiasmo … Quando cheguei à paragem de táxi, fui à farmácia porque me doía o estômago. Quando saí de lá, deitei-me num passeio em Madison (onde por sinal as pessoas são muito educadas) e vomitei na relva…às 20:30 fui dormir para ver se conseguia recuperar. Eu ainda não sei o que é que me afetou, se um vírus, gastroenterite, stress, ou nervos… Descansei conforme consegui. Outro muito engraçado foi no aquecimento de Snatch com o Kyle Kasperbahuer (campeão e pódio nos Crossfit Games há alguns anos atrás), é uma pena que eu não tenha o vídeo, mas foi espetacular. Foi com ele que me dei melhor. Ele fartou-se de rir quando me viu entre os wods a comer a maior travessa de gelado que serviam nos Games!”

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