Poderia ter optado pelo Ginásio mas não seria a mesma coisa!

E porque AGRADECER é a “arte” de atrair coisas boas, começo assim, por agradecer ao Orlando Silva que me fez este convite para escrever para o blogue PLANETA CROSSFIT, um pouco sobre a minha história neste pequeno, mas enorme mundo.

Andreia Pacheco 27 anos, nasci e cresci em Penafiel, mas atualmente vivo em Almada. Personal Trainer, Coach, atleta e uma verdadeira apaixonada por esta modalidade ao qual intitularam de Crossfit. 🙂

Não tenho propriamente um percurso especifico na área do desporto, nem nunca dediquei tanto tempo a uma modalidade só, até agora.

Sempre fui uma miúda ligada a tudo “o que era mexer”, não importava o quê, na escola fazia de tudo, e ao longo dos anos assim o foi. Fiz desportos radicais, como escalada, jogava e adorava futebol, andebol, voleibol, corrida, orientação, ginástica (cambalhotas para aqui e para acolá), acrobática, e até danças de salão (minhas preferidas as latinas), … fiz de tudo um pouco, e dedicava-me a 100% a isso, ou não fosse a educação física a minha melhor disciplina durante todos os anos do ensino escolar.

No final do 12º ano sabia o que queria. E agarrei-me à escolha que com 17 anos já me fazia sonhar e delirar. Única mulher na família com determinada decisão onde, aos 18 anos em 2010, alistei me no Exército Português, sem o consentimento dos papás, que mais cedo ou mais tarde não tiveram outro remédio que aceitar.

Militar de 2010 a 2016, onde vi nesta profissão um pouco do que faço atualmente. Um desafio diário, algo que testava o meu corpo e mente de formas diferentes todos os dias.

E foi através do que carreguei ao peito “o orgulho de um soldado português em defesa do seu país”, que descobri o que era isto do “Crossfit”.

Em Abril de 2013, através do regimento de infantaria Nº19 Integro uma Força Portuguesa para o Afeganistão, no  6º Contingente Nacional da (ISAF) International Security Assitance Force.

E é aqui, em KAIA/KABUL que tenho o primeiro contato com esta maravilhosa modalidade.

Durante os seis meses de missão, com muito que fazer e pensar, no meio de medos e receios, saudades e recordações, sorrisos e lágrimas, missões e operações… que no meio de um turbilhão de “cenas e coisas” (que deixarei para contar numa próxima história), o exercício físico fazia parte do nosso dia a dia. No mesmo campo militar estavam concentrados vários contingentes de diferentes forças e diferentes nacionalidades, como os U.S. ARMY.

E num dia, igual a todos os outros, um amigo e camarada oficial da força aérea portuguesa JORGE DURÃO (o impulsionador de eu estar neste meio hoje), convida me para participar numa “competição” (onde por lá as condições permitissem tal), onde envolviam toda a comunidade crossfit por lá existente.

Não fazendo a mais pequena ideia do que fosse o Crossfit, aceitei, sobre as condições que apenas iria por precisarem obrigatoriamente de um elemento feminino na equipa, e eu por ser a única opção restante. Ele apenas me dizia: “- não te preocupes, não precisas fazer nada, nós fazemos tudo por ti”, e assim não foi… No meio de um campo velho de cimento, contentores e barras ferrugentas, dou por mim a pegar numa barra e a fazer o meu primeiro clean, apenas para ajudar a equipa com os poucos quilos que conseguia levantar … Se me recordo, não sei bem como, ficamos num quarto lugar ou algo assim, perto das grandes equipas, que para mim eram verdadeiros “monstros” daquilo, e foi isso que me intrigou, o que faziam aqueles “monstros” afinal, … e não fosse eu mulher de desafios, esse bichinho do crossfit que me mordeu nesse dia, fez com que eu voltasse lá no dia seguinte. 5h da manhã, e lá estavam eles, aquela tropa principalmente americana pronta a retirar material do contentor para treinar e iniciar a aula. E assim tive a primeira aula, dada exatamente por um dos elementos daquela maravilhosa e inesperada equipa, Jonh Robert of U.S.ARMY.

E partir daí o caminho continuou, cada vez mais maravilhada e apaixonada por aquilo. Larguei aquele ferro e maquinaria da tenda, a que por lá chamávamos ginásio, larguei as corridas no meio do deserto, e sempre que podia, lá estava eu, com os malucos fosse à hora que desse, para poder absorver todo o conhecimento que aqueles verdadeiros amantes transmitiam. Aprendi com os melhores, com os verdadeiros de espírito, e isso é algo que carrego até aos dias de hoje.

Lembro-me de passar dias e dias, e meses de PVC na mão, foi assim que aprendi a base dos movimentos com barra, pois é assim que deve ser ensinado, técnica antes da carga, e isso é feito com um belo tubo de plástico. E é isto que transmito as meus alunos , mas com a consciência de que nos dias de hoje é algo pouco compreendido pelos mortais que frequentam as boxes deste país. Pois o ego é maior, olhar para o lado e ver peso na barra, querer o mesmo e ter de lidar com o facto de eu não passar de um PVC não é fácil. Mas temos de perceber que talvez aquela pessoa que ao nosso lado levantou mais de 100kg do chão, provavelmente passou pelo mesmo processo com o tubo de plástico.

Bem, de volta a Portugal, o crossfit não ficou de parte, mas sim com menos oportunidades de o praticar. Ainda muitos poucos sítios desenvolviam essa modalidade na altura, e em Trás-os-Montes onde estava colocada muito menos. Com a infelicidade de andar sempre de um lado ao outro do país em exercícios, apoio a batalhões para aqui e acolá, formações e por aí fora, permaneci dois anos na instabilidade de praticar assiduamente aquilo que mais gostava de fazer. Encontrava o escape do próprio ginásio do quartel militar onde pertencia, seguindo a página da “casa mãe” Crossfit Kaia 2030, onde diariamente publicavam os treinos do dia, e assim como foi desenvolvido, adaptava pelo que conseguia ou não fazer. Um ano depois, algures já em 2015 na minha terra Natal, volta e meia quando voltava a casa conseguia matar saudades de tal, onde num ginásio local já se praticava cross training.

E por lá dei os meus primeiros passos, um pouco mais a sério, com o meu primeiro instrutor em Portugal Henrique Rocha, na altura instrutor no Playlife Fitness Center em Penafiel, a quem devo imenso do que sou hoje. Com ele entrei no mundo da competição, não como atleta, mas como juiz, onde iniciei o ajuizamento de várias competições nacionais, e internacionais como os Meridian Regionals, o que me deu uma estaleca grande para iniciar, desenvolver novos skills e aprendizagens.

E em 2016 quando me mudo para a capital, ainda como militar, sou colocada no Instituto dos Pupilos do Exército, último ano desta carreira, onde em simultâneo iniciei o curso de Técnico Especialista em Exercício Físico pela  Manz Produções em Lisboa. Durante esse ano fiz o Level 1 Trainer da CROSSFIT, entre outras formações.

Nesse ano termino a minha carreira militar, e nada melhor que tentar a oportunidade de desenvolver uma nova carreira, mas sim na modalidade que já na altura me prendia por completo.

E assim em 2017, com término da cédula profissional, a primeira porta abre para o mercado que estava a expandir, e a convite do Head Coach da Impossible Crossfit Mauro Damião, início os primeiros passos com Coach.

Nada nos prepara para aquilo, uma formação de um ano não chega, de um fim de semana muito menos, e só quando te vês a lidar com pessoas, é que percebes do que é realmente. E nada te prepara para saber lidar com isso, com os nervos do primeiro dia, com a responsabilidade de lidar com o corpo humano, de saber como e o que transmitir, de que forma passar o conhecimento por mais teórico ou pratico que seja, lidar com pessoas mais velhas, e nada te prepara para saber como reagir com tudo isto, apenas o terreno, a experiência, e as pessoas que estão ao teu lado a apoiar, e tudo isso encontrei naquela que foi a minha primeira casa. Felizmente ao lado de um grande homem, Coach, atleta e profissional, hoje amigo mais que um irmão, a quem devo também este percurso, e a quem devo um obrigada Mauro Damião.

E com essa porta abriram novas janelas, e a meio desse ano surge a proposta do Pedro Neo Head Coach e fundador da Crossfit Almada, para trabalhar como treinadora dessa casa, onde eu também já frequentava orgulhosamente como atleta.

E assim fui construindo este caminho, ganhando experiência, errando, aprendendo, ensinando, crescendo, e em setembro de 2017 com o encerramento da Impossible Crossfit, surge mais uma bela proposta, neste caso de uma ainda hoje grande referência para mim, Tiago Lousa, para integrar o grupo de treinadores da grande casa a Crossfit AlphaDen. Dois meses mais tarde a contacto do nosso orgulhosamente atleta português Bruno Militão,  fundador da Crossfit Alvalade, surge a proposta para me juntar ao seu grupo de treinadores da Crossfit Alvalade Oriente.

Início de 2018, Mauro Damião abre as portas da sua primeira casa a Original Xfit e como um dos seus “braços direitos” passo a ser juntamente com ele, e a admirável atleta e treinadora Lenny Nunes, treinadora de mais uma casa, onde o espírito de crossfit se respira a toda a hora.

Por último, em outubro do mesmo ano, a Fight 4 Fit CrossBox, que contempla o mesmo Head Coach Mauro Damião, me propõe mais um local para eu trabalhar, como se casas já não me bastassem 🙂

Mais uma grande casa, mais uma família, mas apenas uma comunidade que une todas elas.

Poderia ter optado pelo ginásio, mas não seria a mesma coisa, quando é isto que eu mais amo fazer.

Não, não sou a maluca que anda de um lado ao outro a acumular trabalho ou a colecionar box’s, tenho tudo organizado e orientado, e dedico-me a cada uma delas por igual, com o mesmo amor, com muita paixão, muita dedicação e muita entrega.

E o bom de tudo isto, é que lido com várias pessoas, alunos diferentes, colegas diferentes que me ensinam todos os dias, e é com todas essas pessoas com quem lido diariamente, que fazem com que eu me vá construindo, e seja o que sou hoje, como humana, mulher, atleta, treinadora e profissional.

E como atleta o meu percurso é igualmente ainda uma criança, mas uma criança com muita vontade de crescer.

Primeira experiência como atleta foi com a equipa da Crossfit Almada nos Face to Face Games 2017 resultando um 5º lugar, seguido meses mais tarde da primeira experiência como individual nos Ultimate Power Fitness Games 2017 com o meu muito orgulhoso um 6º lugar.

A partir daí integrei na grande alcateia com a TEAM ALPHADEN WOLVES, e com eles as maravilhosas experiencias vividas em 2018 em competições nacionais como Promofitness Games, Face to face Games, Calis Cross Games… assim como a maior experiência deste ano a nível competitivo para mim os Winter Games Madrid.

Atualmente sigo a programação para atletas de competição do Mauro Damião, que é quem já me acompanha há algum tempo, com quem tenho aprendido imenso e evoluído todos os dias, e entre aulas de Crossfit e treinos pessoais, Almada e Lisboa, Margem Norte e Margem Sul, não dispenso diariamente do meu sofrimento, o meu treino, a minha verdadeira Terapia. Aquele momento do dia que me mantêm sã, mantém a minha mente tranquila, o meu corpo ativo, a minha vida mais saudável.

E é por isso me apaixonei pelo crossfit, é muito mais que uma modalidade, é um modo de ser e de estar na vida, é muito mais que nome ou uma marca, é uma mensagem, uma lição, uma aprendizagem, e uma superação. E a isso me dedico a 100% todos os dias.

Se eu me tornar melhor, torno melhor as outras pessoas.

E termino como acabo, a agradecer.

Um obrigada a todas as casas que me abriram as portas, onde não há competição, somos união, somos uma família, uma verdadeira comunidade, pois assim deve ser.

Obrigada a quem me apoia todos dias, a todos os níveis, a quem me faz crescer, aprender, errar também, a quem me ensina e a quem me ilumina.

Obrigada a quem está a perder um bocadinho do seu tempo a ler este bocadinho contado, da minha pequena história.

“Se puderes, ajuda os outros; se não o puderes fazer, ao menos não lhes faças mal. ”
Dalai Lama

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