“Foi como se transferisse o Campo Militar para um armazém, substituísse as botas por Sapatilhas e a Arma por uma Barra!”

Chamo-me Hélder Santos, tenho 27 anos e sou natural do Porto.

Decorria o ano de 2014 quando fui desafiado, pela minha namorada, a experimentar uma aula de CrossFit. Já lá vão 5 anos desde a minha primeira experiência e, desde esse dia, fiquei rendido!

Não poderia deixar passar esta oportunidade para me ausentar do mundo perfeito do Instagram e compartilhar a verdade real, nua e crua com os leitores.

Parece fácil, certo? Apenas dizer a verdade…. Afinal de contas, quantos de nós andam por aí a dizer mentiras? Andamos todos a mentir uns aos outros e nem nos apercebemos que andamos a fazê-lo. E nem falo dos políticos, porque esses mentem sempre…

Partilhamos fotos incríveis, de momentos de felicidade, de conquista e histórias de amor dignas de nomeação aos Óscares.

Existe uma barreira que não permite ver o lado menos bom, ou diferente, do ideal da vida. Essa barreira cria dificuldades na criação de relações de confiança entre as pessoas. Tememos o possível julgamento alheio.

Como tudo começou:

Apesar de ter crescido na geração do boom tecnológico, apenas fui um utilizador casual e a minha paixão e construção de identidade, foram na maior parte, conquistadas no jardim ao lado de casa.

Sempre estive ligado ao desporto, mais concretamente ao Karaté, ao Andebol e ao Futebol.

A bela da adolescência, “naquela idade inquieta e duvidosa, que não é dia claro e é já o alvorecer”, causou mudanças naquilo que considerava serem prioridades. As saídas noturnas, festas e discotecas sobrepuseram-se ao Desporto.

Tinha intenções de frequentar o curso de Ciências do Desporto, mas reprovei na disciplina de matemática no 12º ano.

Assim, com 18 anos, carta de condução e carro e sem grandes responsabilidades, podia desfrutar da vida boémia que o Porto tinha para oferecer.

Em dezembro de 2009, algo despertou em mim. Percebi que o tipo de vida que levava e a falta constante às aulas de Matemática não eram compatíveis com os meus objetivos.

Esse abanão mexeu comigo e foi aí que despertou um outro fascínio, que achei que seria o mais indicado para me ajudar a ultrapassar aquela situação menos boa. O Exército.

Em 2010, com 19 anos, ingressei no Exército. Identifiquei-me com os seus valores e as suas condutas e comecei a idealizar uma carreira militar. Era, e sou, apaixonado pelo treino militar. Correr com botas e arma, com um peso de 4,4kgs, às 06h00 da manhã, combinado com exercícios gímnicos, tais como elevações, flexões de braços e polichinelos, era algo que me dava verdadeiramente prazer!

Entretanto, já terminado o ensino secundário, pensava concorrer aos quadros permanentes do exército e foi aí que o CrossFit entrou na minha vida.

 A experiência:

Foi nessa altura que recebi um convite da minha namorada para experimentar uma aula de CrossFit.

Aceitei, e não podia ter sido mais oportuno. Foi como se transferisse o campo militar para um armazém, substituísse as botas por sapatilhas e a arma por uma barra!

Nesta primeira Box, o CrossFit Cubo, conheci pessoas magníficas. Companheiros de treino que priorizavam a saúde, que deixavam tudo o que tinham em cada treino, incentivando e puxando uns pelos outros, tentando atingir os seus diferentes objetivos físicos e festejando a vitória da pessoa que estava ao seu lado, como se de sua se tratasse, e onde o último a acabar era tão importante como o primeiro. Era incrível a energia que se sentia no ar e o espírito de equipa. Tudo ligado pelo CrossFit. Todos sabiam o meu nome e eu tinha o sentimento de pertença a um grupo. Todos se preocupavam comigo e eu com eles. Para além disso, tinha presente a competição, comigo mesmo e com o parceiro de treino, que me fazia transcender e expressar as minhas capacidades físicas de diversas formas e em contextos diferentes.

Este espírito de superação, companheirismo, entreajuda, rendimento, transcendência, disciplina e compromisso eram, para mim, exatamente o mesmo que sentia no Exército.

A referência aos Coaches tem que ser obrigatória. O André Barbosa e o Alex Gomes. Na minha humilde opinião, faziam uma equipa fantástica. O André Barbosa era aquele treinador que te obrigava a dares tudo em cada treino, que te incentivava a competir e a dares mais de ti a cada dia.

O Alex Gomes foi, e é, a minha referência enquanto Coach. Considero-o um Mentor. Era, e é, um excelente ser humano, fez-me ver o melhor de mim, realçou-me o propósito inicial do CrossFit, como metodologia de treino e não como modalidade de competição, ajudou-me a entender o importante papel da nutrição e fazia umas panquecas de banana deliciosas, cuja receita podem ver no Blog Fora da Box! Tentei absorver, nos 2 anos como atleta desta Box, o melhor de cada um dos treinadores.

 De atleta a Coach:

Foi neste ano, 2014, que surgiram novamente mudanças nas minhas ambições pessoais. O sonho antigo de ser professor de educação física voltou, ligeiramente diferente. Queria passar ao maior número de pessoas possível, adultos e jovens, as sensações magníficas que só o desporto é capaz de produzir, se experienciado da forma correta, e todos os benefícios a ele associados. A forma mais completa e eficaz era o CrossFit.

Nesta fase, entendi claramente aquilo que queria e estava ciente que iria acordar todos os dias entusiasmado para fazê-lo. Percebi quais seriam as responsabilidades, os desafios e as regras. E quanto à capacidade de fazê-lo? Bem, apesar de achar, na altura, que tinha bastante conhecimento sobre o mundo do Desporto, não me deixei enganar por mim mesmo e candidatei-me à licenciatura de Ciências do Desporto da FADEUP. Entrei e, paralelamente, fui tirando várias formações que achava essenciais na área da nutrição e do exercício físico, entre elas o CrossFit Level 1 Trainer.

O percurso de Coach inicia-se em 2016, no The Factory Gym Box, e que grato estou pela confiança e liberdade concedidas por parte dos seus responsáveis! Foi aqui que consegui implementar a minha visão, iniciar a minha própria metodologia, errar vezes sem conta e encher as aulas de CrossFit.

Em janeiro 2017 surge o convite, por parte do Alex Gomes, para dar aulas no CrossFit Fora da Box. Tive aqui a oportunidade de aprofundar, mais uma vez, os conhecimentos, trabalhando ao lado da minha referência de topo. Deu-me a possibilidade e a liberdade de intervir na programação da box e nos eventos realizados.

Nesse mesmo ano iniciei o meu percurso no CrossFit 4475, onde fui recebido de forma muito calorosa por todos os colegas de equipa e pelos atletas. Este é o “local de culto” das segundas feiras mágicas… Façam uma visita e vão ver do que falo!

2017 e 2018 foram anos incríveis. Faculdade, formações ao fim de semana – tendo sido a mais marcante o CrossFit Specialty Course: Weightlifting, com o extraordinário Coach B. (Mike Burgener) – o trabalho no Exército, no Fora da Box, no The Factory Gym Box e no CrossFit 4475. Ainda sobrava tempo para treinar e realizar algumas provas nacionais, tais como os Promofit Games, os UPFG, os Community Summer Games (deveriam voltar) e os fantásticos Face2Face Games, que deveriam ser de participação obrigatória para toda a comunidade de CrossFit.

Presente e o Futuro:

O presente e futuro passam por ser 1 % melhor a cada dia. Continuar a aprendizagem, porque quanto mais sei, mais sei que nada sei. Proporcionar o melhor momento do dia a todos os meus alunos e continuar a criar fortes relações. E errar… continuar a errar, sem nunca esquecer os erros do passado, para não os voltar a cometer no futuro.

A mensagem que quero passar é que: nada é imediato, tudo o que é fácil agora foi difícil no início. Podes ser aquilo que queres, se, para isso, o trabalho necessário depender de ti. Assegura-te de que controlas aquilo que podes e ao que não podes controlar não dês grande importância.

Se esta crónica servir para motivar uma única pessoa a enfrentar um desafio, a superar uma adversidade ou a ganhar coragem para dar o primeiro passo no caminho para a felicidade, fico completamente realizado!

Obrigado, Planeta CrossFit, pelo convite.

Bons Treinos!!!

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