Recentemente, estive de visita à Box Woow Training em Vila Nova de Gaia. Estive à conversa com a Raquel Raposo, a responsável pela Box e gestora da sociedade. A Woow Training ainda é uma box relativamente recente, “nasceu” a 1 de setembro de 2018.

A box tem quatro coach´s, sendo eles a Raquel Raposo, a Miriam, o David Azevedo, e o Pedro Diogo. A Raquel não estava ligada ao desporto profissionalmente, e a decisão de abrir a Box foi pela paixão pelo CrossFit.

“Eu não venho da área do desporto, venho da área jurídica, sou penalista. Estou aqui pela paixão pelo CrossFit, pela filosofia, ingressei no mundo do CrossFit como praticante, e continuo praticante. Fiz todas as formações ligadas ao CrossFit que me foram possíveis fazer até ao momento.

Adoro o autoconhecimento, sou uma eterna estudante, não só no que toca ao CrossFit, mas a muitas coisas. Motricidade, tudo aquilo que eu acho que pode aumentar a minha capacidade de ensinamento.”

A ideia de abrir a box surgiu, porque estava a treinar numa Box que faz parte de um ginásio, e não tinha propriamente as condições ótimas para a prática do CrossFit.

“Treinava numa box que faz parte de um ginásio, era um espaço recôndito no ginásio. Tinha muitas falhas, eu e o meu marido chateávamos o diretor do ginásio para comprar material, andamos a pintar o interior da box, etc. A estrutura da box cresceu porque nós investimos lá, e chateávamos os outros para investir.

Até que um dia decidi avançar, tentar a sorte e abrir uma Box. A minha filha do meio treina no Coimbrões, e ao passar aqui via este espaço abandonado. E pensei, aqui é que era fixe, e assim foi avancei e abri o Woow Training.”

A box antes do Covid 19, já estava com uma grande dinâmica de alunos por aula, tinham cerca de 100 alunos numa média diária a frequentar a box.

“Antes do Covid 19 já estávamos com uma média de 100 alunos diários, estávamos muito bem, porque a nossa lotação máxima ronda os 120 alunos. Temos que nos orientar pela dinâmica diária manhã/ tarde, se temos 80 alunos que vêm treinar só ao fim da tarde, tenho que fechar as inscrições. Isto é uma zona residencial, logo a dinâmica é muito diferente se estivesse numa zona industrial, ou em outro local.

Neste momento, estamos com cerca de 70 alunos de média diária a frequentar a box.”

Como é óbvio, a box devido ao Covid 19 sofreu um impacto negativo, mas como muitas outras Box´s sobreviveram, e estão na “luta” diária para proporcionar melhor saúde às pessoas

“Eu acho que o impacto do Covid 19 foi negativo para toda a gente como é obvio, uma empresa embrionária, com um ano e 8 meses sendo obrigada a fechar, e a deixar de ter uma receita mensal foi algo de muito assustador. Já tínhamos as nossas coisas pagas, já estávamos a investir em novos equipamentos, fazer manutenção da Box, que é uma coisa que se deve fazer frequentemente, e de repente tudo fica quase em suspenso! Como referi anteriormente foi assustador.

Sinto que a nossa comunidade nos ajudou imenso, as duas primeiras semanas foram algo estranhas, porque não sabíamos bem o que fazer. Que dinâmica íamos criar, o que as pessoas iriam necessitar, e tentamos nos ajustar à situação. E acho que conseguimos.

O fato de sermos pequenos, foi a dimensão desejada e continua a ser a desejada, é bom porque quando algo de negativo acontece, acaba por não ter um impacto tão negativo. E ao reabrirmos quase todos os nossos alunos regressaram à box.”

No período de confinamento, o principal objetivo dos responsáveis da box, foi tentar manter os alunos ativos, e não estarem preocupados com o que poderiam perder em termos de treino.

“Fazer com que eles sintam que nós estamos preocupados com eles, da mesma forma que eles sentem quando fazem aulas presenciais connosco, acho que foi o mais importante.

Como conseguimos isso teve a ver com a nossa dinâmica semanal, porque íamos sempre alterando ou ajustando as aulas. Mas o mais importante era eles sentirem que nós estamos aqui para eles, eles sentirem que nós estávamos cá para os ajudar também a nível psicológico e não só físico. “

Para já os objetivos são continuar no local em que estão situados, e não estão a pensar para já mudar para outro local. O futuro imediato passa primeiro por tentar voltar à normalidade possível.

“De momento precisamos de voltar a atingir a nossa fasquia, e não faz sentido mudarmos, alias nunca pensei em sair daqui e ir para outro lugar. Espero ter uma nova casa, e não sair daqui e deslocar-me. Não faz sentido sairmos daqui e perder o nosso “ninho”, se foi aqui que nós nos fizermos sentir uma box, com dinâmica para crescer, e ter outros projetos acoplados, para mim não faz sentido sair daqui!

Todas as empresas têm que ter objetivos ambiciosos, não digo que futuramente teremos que ter outro local para crescer um pouco mais, mas mantendo sempre este local como base.”

Para terminar a nossa conversa, fiz à Raquel a pergunta da praxe que faço aos meus entrevistados que é “O CrossFit é mesmo para toda a gente?”

“Claro que sim, é dessa fusão de tudo que nós vivemos. Se nós trabalhamos com um espírito de comunidade, de inserção, nunca seria de exclusão. Não faz sentido pensar na filosofia desportiva, porque o CrossFit é um método de treino, que é adaptável a qualquer box. Ou seja, a minha box não vai contra o método mãe, e a box ao lado pode ter outro método diferente. E não sou eu ou eles que estamos errados, nós temos que ter capacidade de nos adaptar à nossa comunidade. Logo o CrossFit é mesmo para toda a gente.”

Só me resta agradecer à Raquel Raposo pela simpatia, e receção. E agradecer também o tempo dispensado para esta pequena conversa. Fica prometido que irei lá novamente, mas desta vez para treinar. Se por acaso passarem por Vila Nova de Gaia, visitem a Woow Training, tenho a certeza que serão tão bem recebidos como eu fui!

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