Recentemente fui visitar a box CrossFit Viana do Castelo. Eles foram os grandes vencedores da sondagem/competição, que realizei no grupo de Facebook do Planeta Crossfit. A sondagem/competição surgiu porque achei que a comunidade CrossFit em Portugal estava um pouco “morta” (pelo menos na minha modesta opinião), e achei que precisavam de algo para os fazer interagir.

Devido ao Covid 19, as box´s de CrossFit foram obrigadas a fechar portas, durante sensivelmente 3 meses. Praticamente todas as box´s trabalharam bastante para manter os alunos ativos, com treinos online, etc. E foi pelo facto de as box´s terem trabalhado incansavelmente para os seus alunos, que promovi a sondagem/competição. Quis saber o quanto os alunos gostaram do trabalho que as box´s fizeram e o quanto se sentiam gratos por esse trabalho.

Lancei a sondagem/competição, para promover uma competição saudável entre box´s, e a comunidade voltar a interagir. O prémio para a box vencedora, era uma visita do Planeta Crossfit para reportagem. Como referi em cima, a box vencedora foi o CrossFit Viana do Castelo.

Agora falando um pouco sobre o CrossFit Viana do Castelo, a box abriu a 2 de Janeiro de 2017, e os grandes responsáveis pela box e sócios, são o Miguel Borlido, e o Diogo Morais.

O Diogo Morais foi remador durante muitos anos, e não gosta muito de desportos coletivos.

“Sou licenciado em Ciências do Desporto pela FADEUP, tenho o nível 3 de CrossFit e atualmente estou em curso de mestrado em Alto Rendimento. Fui remador durante muitos anos e por isso mesmo gosto de desportos que sejam intensos. O típico ginásio nunca me satisfez nesse sentido. Desportos coletivos, para mim só se for sueca e mesmo isso jogo mal. Entretanto entrei para a polícia, estive numa unidade especial durante 10 anos, e o treino deste tipo foi me fazendo cada vez mais sentido. Fui começando a conhecer malta que já fazia este tipo de treino, e tive contacto com o CrossFit mais ou menos em 2010.

Em 2015 abri uma loja de suplementos, e o Miguel Borlido que vive em Londres, numa das suas estadias em Portugal, passou na loja para tomar café como habitualmente fazia, e lançou-me o desafio de abrir uma box de CrossFit, já que eu gostava tanto disto. Nesse dia fez-se luz, fomos trabalhando a ideia, e abrimos em 2017. Curiosamente, a primeira pessoa com quem falei a pedir dicas, foi ao Juvenal Fernandes, meu colega de curso na Faculdade”

Já o Miguel Borlido vive em Londres, e em termos desportivos esteve mais ligado aos desportos coletivos, desde voleibol, artes marciais, basquetebol (o Miguel é extremamente alto, até lhe chamam na box de “o grande”).

“Pratiquei alguns desportos, desde voleibol a artes marciais e muito basquetebol, que joguei durante mais de 20 anos, joguei em Viana, no FC Porto e Londres. O CrossFit aparece um pouco por curiosidade, via muito lá em Londres, lancei a ideia ao Diogo, e começamos a desenvolver o modelo de negócio. A minha formação é em gestão e profissionalmente sou director de um banco na City de Londres. Na box não estou ligado à parte desportiva, ou seja, não dou aulas.

Faço gestão da box, alguma da parte comercial/mkt e contabilística. Acho que as coisas funcionam bem, porque trocamos muitas ideias entre nós. Algumas são implementadas, outras tentamos adaptar, e acho que a evolução desde que abrimos tem sido muito boa. Tentamos sempre melhorar alguma coisa, para dar o melhor aos nossos clientes.”

O CrossFit Viana do Castelo tem um staff constituído por alguns coach´s, sendo eles o João Vieira, Jorge Azevedo, Rodrigo Viana, o Manuel Barbosa, e uma recepcionista a Tânia Gramoso, que coloca ordem na casa quando é preciso!

O João Vieira tem um passado bastante ligado ao desporto!

“Comecei no desporto na natação, fui treinador, dava aulas de grupo e já conhecia o Diogo e o Miguel há muitos anos. Quando o Diogo abriu a loja surgiu a oportunidade de ir trabalhar para lá. E conforme as coisas foram evoluindo para o lado deles (abertura da box), também foram evoluindo para o meu lado.

Comecei no CrossFit com eles aqui na box, fui evoluindo e aprendendo com eles, e cá estou.”

O Rodrigo Viana é a mais recente “aquisição” da box.

“Comecei no desporto desde muito pequeno, mais ligado ao futebol, fiz a licenciatura em Ciências do Desporto. Fiz mestrado em crianças e jovens. O CrossFit surgiu quando estava à procura de algo novo que não o ginásio e foi cá na box que fiz o meu primeiro treino. Desde aí nunca mais parei.

Fiz o curso de nível 1, e foi quando recentemente surgiu o convite para fazer parte da equipa.”

O Jorge Azevedo tem um percurso muito semelhante ao do Rodrigo Viana.

“O meu percurso é muito semelhante ao do Rodrigo, também comecei por jogar futebol. Tirei a licenciatura em Ciências do Desporto, estou agora a tirar também o mestrado em jovens e crianças. Comecei por dar aulas aqui na box há um ano, e estou cá desde então.

A Tania Gramoso é a mulher que coloca ordem na casa, é a recepcionista da box, é Francesa, mas fala muito bem português. Está agora a fazer curso de Técnico Especialista em Exercício Físico em Português, para também começar a dar umas aulas na box

“Comecei muito nova na dança, tirei um curso de técnica de educação física em França e dei aulas em alguns ginásios. Entretanto vim para Portugal. Comecei no CrossFit quando a box abriu, e há dois anos atrás propuseram-me trabalhar aqui, e cá estou.”

Não tive a oportunidade de falar com o Manuel Barbosa que estava de férias. Fica para outra oportunidade.

A Box antes do Covid 19 tinha cerca de 300 alunos inscritos.

“Antes do Covid chegamos aos 300 contando com teens e kids. Perdemos uma percentagem significativa de clientes durante a pandemia, mas felizmente o trabalho desenvolvido permitiu que fossem mais os que ficaram do que os que saíram.

Após a reabertura temos vindo gradualmente a recuperar os clientes perdidos através de um pacote de ofertas feitos aos clientes.

O número médio diário de clientes é curiosamente superior agora face ao que era antes do encerramento: as pessoas tem muita vontade de treinar, o que nos deixa orgulhosos no trabalho desenvolvido por toda a equipa.”  Miguel Borlido

Durante o fecho da box, a prioridade foi sempre tentar prestar o melhor serviço aos alunos.

“Nós voltamo-nos imediatamente para os nossos alunos, quisemos que eles tivessem algo para fazer em casa e sentissem que nós estávamos cá para eles. Sentimos que tínhamos um dever perante todos eles. Assumimos uma posição de defesa dos nossos alunos, para que eles pudessem ultrapassar um período de incerteza e de confinamento sem fim previsto da melhor forma possível, com o melhor que podíamos oferecer, dentro das circunstâncias que vivemos na altura.” – Diogo Morais

O sucesso passou muito pelo que de diferente poderiam fazer para “entreter” os alunos em casa, e procuraram ser criativos e ir mais além do que simplesmente dar treinos online.

“Acho que o sucesso passou muito pela parte do entretenimento. Remodelamos a box, criando uma “casa”, com sofá, candeeiro, mesa e tudo. Fizemos séries (la casa de papel), houve raptos, partos, bombas, o preço certo em euros e “macacadas” sem fim. Até houve banda desenhada feita pelo meu tio Raúl, o nosso atleta com mais anos (66), que também treina cá connosco. Os nossos alunos para além do treino, já ficavam “colados” aquela hora à espera do que iria acontecer de novo. Naqueles cinco minutos era uma brincadeira, e as pessoas poderiam “voltar” de certa forma à box, ver as pessoas com quem conviviam diariamente, mas num ambiente também descontraído.

Traçamos o plano do que queríamos fazer. Ainda de fechar já tínhamos os home wods como opção. Criamos também o home nutri, (tínhamos uma nutricionista pronta a responder a perguntas sobre nutrição. Tinha receitas e sugestões para os alunos). Criamos um programa de PT gratuito para cada um que quisesse solicitar treino específico para fazer em casa e disponibilizámos o nosso material aos alunos.” – Miguel Borlido e Diogo Morais

“Entretanto começamos com os diretos, testamos vários horários para tentar perceber qual a melhor hora para os fazer, para tentar criar uma ligação mais direta com os alunos. Falar hoje no que se viveu há 3 meses atrás é bastante diferente. As emoções na altura não são as de agora. Hoje, se tivéssemos de decidir um fecho pelos mesmos motivos fecharíamos sem hesitar e na altura em que “isto do Covid” era novidade para todos, foi a decisão mais difícil que tomamos, porque fechamos sem sequer sermos obrigados a isso, antes do Estado de Emergência.

Entretanto, com a malta em casa a sentir falta de muitas coisas, as aulas em direto foram uma lufada de ar fresco. Também dinamizamos aulas com box´s de outros países, com box´s de Espanha, com a ajuda do Eduardo, um aluno nosso. Criamos ainda um grupo com o intuito de dinamizar os negócios próprios dos nossos alunos, onde por exemplo, se alguém quisesse saber onde haviam pizzarias para take away, perguntariam no grupo e talvez um nos nossos alunos até fosse proprietário de uma pizzaria.

Ou seja, foi o culminar de muitas ideias para tentar arranjar soluções para dentro, para a nossa comunidade e arranjar forma de os manter ativos e entretidos e saudáveis.

 A nossa ligação com os alunos foi de tal forma positiva, que começamos a lançar a #togetherwestand em algumas publicações que fazíamos. Eles próprios quando publicavam algum treino na página já colocavam a #togetherwestand. Até fizemos algumas t-shirts com a hashtag, e na box colocamos na parede um cartaz com a #togetherwestand, para lhes fazer uma surpresa no regresso à box.”– Diogo Morais

A reabertura foi pacifica, porque já tinham preparado a box com todas as condições para os alunos se sentirem, e treinarem em segurança.

“A parte da comunicação foi muito importante durante o período de encerramento e após abertura. A nossa equipa e os alunos têm de perceber o rumo e as decisões que tomamos quase diariamente.

Nós pecamos por excesso em termos de área individual para o treino. Temos uma área bem maior que o recomendado pela DGS, mais a área técnica para os coach´s. Fizemos buracos na parede, colocamos extratores para melhor circulação do ar. Criamos circuitos e regras próprias para cumprir por excesso com tudo o que é recomendado e imposto. A comunicação foi importante para as pessoas chegarem cá e se sentirem seguras.” –  Miguel Borlido

“Ainda treinamos alguns dias lá fora, mas a confiança por parte dos alunos em treinar dentro da box voltou rapidamente. A palavra passou rápido de que era seguro voltarem a treinar na box, porque as coisas foram pensadas com bastante antecedência. Tudo foi pensado com muita antecedência, para garantir o regresso em segurança. Temos estações individuais de treino, material individual, 1 kit completo de desinfecção para cada 3 alunos, registos diários, etc.” –  Diogo Morais

Quando lhes perguntei se o online veio definitivamente para ficar num contexto normal sem pandemia, a resposta foi a seguinte:

“Algumas coisas online poderão continuar a funcionar em circunstâncias especificas, ou seja, ainda neste contexto de pandemia, podemos fornecer treinos online para quem tenha que ficar de quarentena, por exemplo. Ou por situações extraordinárias, mas na nossa opinião não é uma coisa que tenha vindo para ficar de forma permanente.” –  Diogo Morais

“Acho que de uma forma massificada e permanente não. Queremo-nos focar naquilo que achamos importante. As pessoas gostam de entrar aqui e treinar. Treinavam em casa porque não tinham outra solução. Mas não é igual ao treino presencial na box. Pelo menos para nós, não passa pelo nosso modelo de negócio incluir o online. – Miguel Borlido

Para finalizar quando lhes perguntei qual foi o segredo para vencerem a sondagem/competição de uma forma avassaladora, a resposta foi pronta:

“Não há segredo, temos uma comunidade muito boa. Somos uma família muito unida!” – Miguel Borlido

Só me resta agradecer a receção, simpatia, e disponibilidade de praticamente todo o staff estar presente para me receber, e falar um pouco sobre a box. Se passarem por Viana do Castelo e quiserem fazer um treino de Crossfit, passem pelo CrossFit Viana do Castelo. Tenho a certeza que serão tão bem recebidos como eu fui!

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